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Pauta: Segurança Pública & Combate às Facções

IDEIA 07 • SEGURANÇA PÚBLICA

Garantia da Lei e da Ordem forte — onde a facção manda

Regulamentar a GLO como resposta permanente e bem delimitada a facções que atuam como ameaça terrorista interna — com protocolo, prazo e prestação de contas.

LEITURA: 5 MIN · POR LEONARDO TURQUE, CURITIBA

A Constituição brasileira já prevê a resposta: quando o perturbamento da ordem supera a capacidade da polícia, as Forças Armadas atuam em Garantia da Lei e da Ordem — a GLO. O que o Brasil nunca fez é usar esse instrumento na escala que o problema exige. Enquanto isso, o mapeamento do governo federal de 2024 confirma o PCC presente em 24 unidades da federação e o Comando Vermelho em 23 — Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública (2024). Organizações com comando centralizado, tesouraria e braço armado, controlando território em dezenas de estados, não são mais caso de polícia isolada: são ameaça à própria ordem constitucional — o que, em boa parte do mundo, se chama de ameaça terrorista interna.

O problema

A resposta brasileira a essa ameaça é episódica: forças federais entram após crises, sem mandato claro, sem prazo e sem critério de saída — e saem quando a crise passa. A GLO acontece como socorro, não como estratégia. O resultado operacional é conhecido: o território é retomado na operação e devolvido na retirada, porque não há estrutura para permanecer.

Há também a distorção oposta que precisa ser enfrentada de frente: o uso da força federal sem desenho sério gera excesso, e excesso destrói a legitimidade que a operação precisa para funcionar. Comunidade tratada como inimiga entrega informação para quem trata como vizinha — e a facção sabe disso melhor que o Estado.

A solução

Uma regulamentação da GLO como política permanente e delimitada de combate a organizações criminosas com controle territorial: declaração fundamentada, mandato escrito com missão e prazo, protocolo de uso da força, presença de controle e saída planejada com transferência para o programa de presença do Estado.

Primeiro, a declaração fundamentada. A GLO contra facção é decretada com base em relatório público-resumido do controle territorial exercido pela organização — não em conveniência do momento. O documento declara a área, a missão, os poderes e o prazo, e vai ao Congresso.

Segundo, o protocolo de uso da força e de conduta. Regras nacionais escritas, treinadas e auditadas: identificação, emprego gradual, câmera obrigatória, atendimento à população civil e canal de reclamação com resposta rastreada. A GLO séria é a que tem mais regras — não menos.

Terceiro, a presença de controle. Ouvidoria externa e Ministério Público acompanhando a operação desde o primeiro dia, com acesso a registros. Legalidade auditada é o que diferencia Estado de milícia — inclusive na guerra contra a milícia.

Quarto, a saída planejada. Nenhuma GLO termina sem plano de transferência: polícia treinada para o território e o programa de presença permanente (escola, posto, iluminação) assumindo a área. GLO sem plano de saída é trégua com data marcada para o crime.

Como se mede

  1. Território: áreas com facção sob controle territorial onde a GLO estruturada foi empregada — e o que aconteceu depois da saída.
  2. Legalidade: número de denúncias de excesso por operação, com resposta rastreada — deve tender a zero com o protocolo.
  3. Retomada definitiva: percentual de áreas que não voltaram ao controle faccional após a transferência — a métrica-mestre.
  4. Duração: tempo médio de operação até a transferência planejada — nem socorro de 15 dias, nem ocupação eterna sem plano.

A facção que controla território desafia a Constituição em área definida. A resposta existe na lei — falta regulamentar com seriedade, delimitar com precisão e auditar sem exceção.

Esta ideia é uma versão pública e revisável. Discorda, vê um erro ou tem uma solução melhor? Escreva — a crítica boa entra na próxima versão, com crédito.

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