O ensino médio público brasileiro evoluiu — e ainda entrega pouco. O IDEB da rede pública no ensino médio subiu para 4,3 em 2025 (era 4,1 em 2023), o maior valor da série histórica — Fonte: Inep, IDEB 2025, divulgado em 05/08/2026. Numa escala de 10, o estudante que depende 100% da escola pública sai do ensino médio com 4,3 de qualidade mediana: um diploma que abre poucas portas e um currículo que não conversa com nenhum empregador. O jovem percebe — e some: a evasão se concentra exatamente nessa etapa, quando ele escolhe, na prática, entre estudar e trabalhar.
O problema
O ensino médio brasileiro foi desenhado para preparar para a faculdade — e trata como desvio tudo o que deveria preparar para a vida. O adolescente que quer um ofício técnico não encontra trilha digna: os cursos técnicos de qualidade existem em número insuficiente, com certificação de valor desigual e sem conexão sistemática com a economia local. A matemática — o filtro que decide acesso a praticamente toda carreira técnica — é a disciplina mais reprovada e menos priorizada. E o mundo do trabalho, que poderia ser aliado da escola, entra nela só por programas de aprendizagem burocratizados.
O resultado é a estatística que este país já conhece de cor: jovem que abandona sem qualificação, empregador sem mão de obra técnica e um ensino médio que serve para o acúmulo de horas, não para a vida.
A solução
Um ensino médio com propósito, em quatro peças: itinerários técnicos com certificação reconhecida nacionalmente, parceria estruturada com empresas e institutos locais, aprendiz remunerado a partir do 2º ano e matemática como prioridade número 1.
Primeiro, os itinerários. Trilhas técnicas — tecnologia, agroindústria, indústria, saúde — dentro do próprio ensino médio público, com matriz curricular definida em parceria com o setor e certificação de competência reconhecida nacionalmente ao concluir. O diploma passa a dizer o que o jovem sabe fazer.
Segundo, a ponte com quem emprega. Cada itinerário nasce com parcerias formais: empresas e institutos locais que oferecem estrutura, instrutores convidados e trilha de contratação — porque curso técnico sem porta de entrada no fim é curso pela metade.
Terceiro, o aprendiz remunerado. A partir do 2º ano do ensino médio, todo estudante de itinerário técnico tem direito a vaga de aprendizagem remunerada articulada pela rede — dinheiro na conta e experiência no currículo antes dos 18. É a evasão virando emprego.
Quarto, matemática na frente. Programa nacional de reforço de matemática no ensino médio — avaliação de nível, tutoria por turma de nível e meta pública de proficiência por escola. Matemática é a chave de todo itinerário técnico; tratá-la como disciplina qualquer é fechar as portas antes de mostrá-las.
Como se mede
- Qualidade: IDEB do ensino médio na rede pública — de 4,3 (2025) em trajetória ascendente, com meta de 5,0.
- Certificação: percentual de concluentes de itinerário técnico com certificação reconhecida — meta de 100% dos itinerários.
- Aprendiz: percentual de estudantes do 2º/3º ano com aprendizagem remunerada ativa.
- Matemática: proficiência média em matemática no Saeb do 3º ano — sobe ano a ano, publicada por escola.
- Evasão: abandono no ensino médio — a métrica que diz se o jovem voltou a enxergar sentido na escola.
O ensino médio precisa servir para a vida que o aluno vai viver — não para a estatística que o sistema quer apresentar. Certificação, remuneração e matemática: é assim que a escola vira ponte.