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Pauta: Economia & Liberdade Econômica

IDEIA 05 • ECONOMIA

Propriedade e contrato — o Estado cumpre o que assina

Segurança jurídica real: julgamento rápido de disputas de propriedade, registro imobiliário moderno e proteção firme contra invasão e grilagem — para o pequeno e para o grande.

LEITURA: 4 MIN · POR LEONARDO TURQUE, CURITIBA

Nenhuma economia livre funciona sem dois alicerces: propriedade garantida e contrato cumprido. O brasileiro que compra um imóvel pode levar anos para registrar; o empresário que ganha uma causa de cobrança espera muitos anos para receber; e o produtor rural que tem a terra invadida vive a dramaticidade de ver o Estado, que deveria proteger, demorar meses para agir. <DADO A VERIFICAR: tempo médio de tramitação de ações de usucapião e de execução, CNJ Justiça em Números>. Liberdade econômica sem segurança jurídica é frase de palco.

O problema

A insegurança jurídica brasileira tributa todo mundo — e é regressiva. O grande capital compra proteção: advogado, título, offshore. O pequeno proprietário tem o cartório lotado, o processo parado e a posse em disputa. O resultado prático: crédito mais caro (quem empresta precifica risco de não receber), investimento menor (quem compra terreno precifica risco de perder) e conflito no campo (quem não tem documento não tem Estado ao lado).

Há três falhas estruturais. Primeiro, o registro: o sistema imobiliário brasileiro é papel, cartório e burocracia de 1930 — o Brasil ainda não concluiu a digitalização completa do registro de imóveis. Segundo, a morosidade: processo de cobrança e de reintegração demora anos, e quem viola contrato ou propriedade é beneficiado pela espera. Terceiro, a seletividade: a lei protege em tese, mas o tempo do processo decide na prática — e o tempo serve a quem invade, grila ou descumpre.

A solução

Um pacote nacional de segurança jurídica: registro de imóveis 100% digital em cartório interoperável, juizados e varas especializadas com prazo legal para disputas de posse e propriedade, e proteção imediata da posse legítima — com o mesmo rigor para o pequeno proprietário e para o grande.

Primeiro, registro digital com prazo. Todas as matrículas de imóveis no sistema nacional interligado, com consulta e averbação online e prazo legal de processamento. Documento digital com validade plena: quem consulta a matrícula precisa receber a verdade em minutos, não em semanas.

Segundo, varas especializadas e prazo de trancamento. Disputas de posse e reintegração com procedimento prioritário: audiência de mediação em 30 dias, decisão de plano para posse documentada. A ordem judicial de reintegração não pode depender de calendário eleitoral nem de pressão — dependerá de prova e de lei.

Terceiro, regularização fundiária de verdade para o pequeno: programa nacional de titulação de posse legítima urbana e rural, com prioridade para quem mora e produz na terra — porque o título na mão do trabalhador é a mais forte política de liberdade que existe.

Quarto, honorários e sanções para a litigância predatória. A invasão com apoio jurídico organizado, e a ação protelatória, precisam custar caro a quem patrocina.

A objeção que merece resposta

"Proteção à propriedade é pauta dos ricos." É o contrário, e com força: quem depende de título para tudo é o pequeno. O dono da casa própria sem escritura não pode vender, não pode financiar reforma, não pode usar o imóvel como garantia de crédito para o próprio negócio — a família é pobre, em parte, porque o papel não existe. O produtor rural sem terra regularizada paga juros que o grande com título paga pela metade. Cada família que recebe a escritura dá um passo que nenhuma política assistencialista dá: sai da provisoriedade eterna. E o contrato cumprido é o que protege o pequeno fornecedor contra o calote do grande cliente — quem tem advogado nunca precisou do judiciário rápido; quem não tem é exatamente quem precisa. Segurança jurídica é a política social mais subestimada do Brasil.

Como se mede

  1. Tempo de registro: prazo médio para registrar e averbar imóvel — meta de dias, não meses.
  2. Tempo de decisão: duração média de ações de reintegração e cobrança — queda contínua ano a ano.
  3. Titulação: número de famílias com título definitivo concedido por ano.
  4. Crédito: custo de crédito imobiliário e rural como proxy do risco percebido — cai quando a segurança sobe.

Propriedade clara e contrato cumprido não são pauta de classes altas: são a diferença entre a família que constrói patrimônio e a família que vive de aluguel da insegurança. É o Estado fazendo o que só o Estado pode fazer — valer a palavra.

Esta ideia é uma versão pública e revisável. Discorda, vê um erro ou tem uma solução melhor? Escreva — a crítica boa entra na próxima versão, com crédito.

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