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Tecnologia & Terras Raras
O futuro não se importa — se constrói
O diagnóstico
O Brasil senta sobre a segunda maior reserva de terras raras do mundo — cerca de 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China — Fonte: USGS, Mineral Commodity Summaries 2026. Terras raras são o insumo de tudo o que decide o século: ímãs permanentes de motores elétricos e turbinas, semicondutores, eletrônicos, sistemas de radar e armamento moderno. E o Brasil produziu, em 2025, cerca de 2.000 toneladas — aproximadamente 0,5% da extração global — Fonte: USGS, MCS 2026. O paradoxo central da pauta: a maior riqueza estratégica do país opera a um vigésimo do seu potencial.
O gargalo não é a mina: é o refino. A China domina a cadeia — cerca de 70% da mineração global e perto de 90% do refino — Fonte: USGS, Mineral Commodity Summaries 2026; análises setoriais. Quem controla o refino controla a tecnologia alheia: é esse gargalo que permite manipular exportação e preço — e é por isso que Estados Unidos e Europa correm para montar cadeias próprias.
E 2026 mudou o jogo — a favor do Brasil, se o país souber jogar. A americana USA Rare Earth comprou o controle da Mineração Serra Verde (GO) por US$ 2,8 bilhões — Fonte: anúncio da operação (mai/2026) — tirando a única produtora nacional com separação em escala da esfera chinesa (Shenghe Resources). O BNDES abriu programa de US$ 920 milhões para dez projetos de minerais críticos. O centro de inovação e reciclagem CRITR, em Poços de Caldas (MG), está previsto para o fim de 2026. E o Serviço Geológico do Brasil encontrou concentrações superiores a 8.000 ppm de terras raras em amostras de São Paulo, Paraná e Santa Catarina (mai/2026) — com destaque para o Paraná, estado de Leonardo Turque, entrando no mapa estratégico das terras raras.
A janela está aberta: demanda global crescente, capital americano dentro do jogo, crédito nacional disponível e novas províncias mineralizadas mapeadas. Falta política de Estado para transformar isso em cadeia — do minério ao ímã — antes que a janela feche.
Esta pauta trata terras raras e tecnologia como ativo de soberania: cadeia nacional, parceria com o setor privado e independência nos setores críticos — com metas públicas de produção e refino.
Ideias desta pauta
